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LIPIDOSE HEPÁTICA EM PSITACÍDEOS - Uma alimentação inadequada, pode causar doença no fígado da sua ave.

Médico Veterinário: Junior Soares (@juniorsoares.vet)


por Canal Dez
13/08/2026 às 16:19 Fernandópolis
LIPIDOSE HEPÁTICA EM PSITACÍDEOS - Uma alimentação inadequada, pode causar doença no fígado da sua ave.

Por Médico Veterinário: Junior Soares (@juniorsoares.vet)

A ordem Psittaciformes compreende aves amplamente distribuídas em regiões tropicais e subtropicais, sendo dividida nas famílias Loridae, Cacatuidae e Psittacidae, que incluem espécies como lóris, cacatuas, calopsitas, papagaios e periquitos (GRESPAN; RASO, 2014). Em condições de cativeiro, essas aves estão frequentemente expostas a manejos nutricionais inadequados, o que favorece o desenvolvimento de enfermidades metabólicas, dentre as quais se destaca a lipidose hepática, considerada uma das principais hepatopatias em psitacídeos.

A lipidose hepática, também conhecida como síndrome do fígado gorduroso, é caracterizada pelo acúmulo excessivo de lipídios nos hepatócitos, comprometendo a função hepática (RAIDAL; JAENSCH, 2000). O fígado das aves localiza-se cranialmente na cavidade celomática e apresenta-se dividido em lobos direito e esquerdo, exercendo papel fundamental no metabolismo de lipídios, proteínas e carboidratos (DONELEY, 2004). Alterações nesse órgão impactam diretamente o equilíbrio metabólico do animal.

A etiologia da lipidose hepática é multifatorial, porém está fortemente associada ao manejo alimentar inadequado. Dietas compostas predominantemente por sementes oleaginosas, como girassol, amendoim e painço, são altamente calóricas e ricas em lipídios, além de apresentarem deficiência em nutrientes essenciais (HESS; MAULDIN; ROSENTHAL, 2002; SAAD et al., 2007). Esse desequilíbrio nutricional favorece o acúmulo progressivo de gordura no fígado, especialmente quando associado à baixa atividade física. Além da dieta hiperlipídica, outros fatores contribuem para o desenvolvimento da doença, como obesidade, doenças metabólicas, exposição a toxinas e alterações no funcionamento dos hepatócitos, que comprometem a metabolização e a mobilização de lipídios (WADSWORTH et al., 1984; SANTOS et al., 2012). A obesidade, por sua vez, é uma condição comum em aves cativas e representa um importante fator predisponente, resultante do consumo energético excessivo aliado ao sedentarismo (CARCIOFI; OLIVEIRA, 2001; SAAD et al., 2008).

O manejo nutricional adequado é essencial tanto na prevenção quanto no controle da lipidose hepática em psitacídeos. Recomenda-se que a dieta dessas aves seja composta majoritariamente por ração extrusada balanceada, correspondendo a cerca de 80% da alimentação, complementada por 20% de frutas, verduras e legumes (PEREIRA et al., 2013). O fornecimento de sementes deve ser restrito a pequenas quantidades, sendo utilizado apenas como petisco, devido ao seu elevado teor de gordura (CONRADI, 2016).

As dietas baseadas exclusivamente em sementes apresentam diversas limitações nutricionais, incluindo baixos níveis de vitaminas A, D3 e do complexo B, além de minerais essenciais e relação inadequada entre cálcio e fósforo (HESS; MAULDIN; ROSENTHAL, 2002; CUBAS et al., 2007). Apesar disso, muitas aves apresentam resistência à substituição das sementes por rações balanceadas, uma vez que essas são mais palatáveis. No entanto, aves que são habituadas desde jovens à ração tendem a aceitar melhor esse tipo de alimentação (HARRISON, 1998).

Os sinais clínicos da lipidose hepática são geralmente inespecíficos, o que dificulta o diagnóstico precoce. Entre as principais manifestações observadas estão obesidade, dispneia, aumento do volume abdominal, alterações na plumagem, crescimento exacerbado de bico e unhas, anorexia e depressão (SANTOS et al., 2012). Além disso, deficiências nutricionais podem desencadear alterações dermatológicas e imunológicas, favorecendo infecções secundárias (FELIX; MAIORKA; SORBARA, 2009; TULLY JR; DORRESTEIN; JONES, 2010).

O diagnóstico deve ser realizado com base no histórico alimentar, exame clínico e exames complementares. Entre os principais métodos diagnósticos, destacam-se exames de imagem, como radiografia e ultrassonografia, além de exames laboratoriais e biópsia hepática, que auxiliam na confirmação da doença (BORGES, 2017). O diagnóstico precoce é fundamental para o sucesso do tratamento e para a recuperação do animal.

Conclui-se que a lipidose hepática em psitacídeos configura-se como uma enfermidade de grande relevância clínica, diretamente relacionada ao manejo nutricional inadequado em cativeiro. A adoção de uma dieta equilibrada, associada ao controle do consumo de lipídios e à promoção de atividade física, é essencial para a prevenção da doença. Assim, o conhecimento sobre as necessidades nutricionais dessas aves é indispensável para garantir seu bem-estar e longevidade.

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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS USADAS NA ELABORAÇÃO DO TRABALHO

CARCIOFI, A. C.; OLIVEIRA, L. D. Doenças nutricionais. In: CUBAS, Z. S.; CATÃO-DIAS, J. L. (Eds.). Tratado de animais selvagens: medicina veterinária. São Paulo: Roca, 2007. P. 838-864.

CORK, S. C. Iron storage diseases in birds. Avian Pathology, v. 29, p. 7-12, 2000.

CUBAS, Z. S.; CATÃO-DIAS, J. L. (Eds.). Tratado de animais selvagens: medicina veterinária. São Paulo: Roca, 2007.

DALE, N. Improving nutrient utilization by ingredient and dietary modification. World Poultry, v. 12, n. 2, p. 33, 1996.

FELIX, A. P.; MAIORKA, A.; SORBARA, J. O. B. Níveis vitamínicos para frango de corte. Ciência Rural, Santa Maria, v. 39, n. 2, p. 619-626, 2009.

GUIMARÃES, M. B. Passeriformes (pássaros, canários, saíras, gralhas). In: CUBAS, Z. S.; SILVA, J. C. R.; CATÃO-DIAS, J. L. (Eds.). Tratado de animais selvagens: medicina veterinária. São Paulo: Roca, 2007. P. 324-337.

HARRISON, G. J. Forty-three years of progress in pet bird nutrition. Journal of the American Veterinary Medical Association, v. 212, n. 8, p. 1226-1230, 1998.

HESS, L.; MAULDIN, G.; ROSENTHAL, K. Estimated nutrient content of diets commonly fed to pet birds. The Veterinary Record, v. 150, p. 399-404, 2002.

NUNES, I. J. Nutrição animal básica. 2. Ed. Belo Horizonte: FEP-MVZ, 1998.

SAAD, C. E. P.; FERREIRA, W. M.; BORGES, F. M. O.; LARA, L. B. Avaliação do gasto e consumo voluntário de rações balanceadas e semente de girassol para papagaios verdadeiros (Amazona aestiva). Ciência e Agrotecnologia, Lavras, v. 31, n. 4, p. 1176-1183, 2007.

SAAD, C. E. P.; FERREIRA, W. M.; BORGES, F. M. O.; LARA, L. B. Energia metabolizável de alimentos utilizados na formulação de rações para papagaios verdadeiros (Amazona aestiva). Ciência e Agrotecnologia, Lavras, v. 32, n. 2, p. 591-597, 2008.

SANTOS, R. M.; CAMPOS, A. G.; PENNA, B. L.; CURY, F. J.; RISSATI, G. B. Lipidose hepática em papagaio verdadeiro (Amazona aestiva): relato de caso. Congresso de Iniciação Científica Nucleus, Ituverava, v. 9, n. 2, supl., 2012.

TULLY JR, T. N.; DORRESTEIN, G. M.; JONES, A. K. Clínica de aves. São Paulo: Elsevier, 2010.